No primeiro capítulo da Confissão de Fé de Westminster assevera-se, que as Sagradas Escrituras do Velho e Novo Testamentos, tendo sido dadas por inspiração divina, são, para o homem em seu presente estado, a única regra de fé e prática toda suficiente. Tudo quanto o homem dever crer acerca de Deus e o dever que Deus requer do homem, se acham reveladas nas Escrituras, visto serem elas a Palavra de Deus. Portanto, esta Divina Palavra é o único padrão de doutrina que contém autoridade intrínseca que obriga a consciência humana nas mais variadas esferas. Todos os demais padrões são de valor e autoridade somente naquela proporção que tange às doutrinas que as Sagradas Escrituras ensinam.
Contudo, enquanto que as Sagradas Escrituras são de Deus, a compreensão das mesmas pertence aos homens. Desse modo, os homens devem interpretar cada parte específica das Sagradas Escrituras, separadamente, fazendo o melhor uso possível de sua limitada capacidade, e então combinar tudo o que as Sagradas Escrituras ensinam sobre cada tema num todo consistente, e então adaptar seus ensinos aos diferentes assuntos em mútua consistência como as partes de um harmonioso sistema. Cada homem que estuda a Bíblia deve fazer isso; e tudo faz crer que o fazem, mediante os termos que utilizam com freqüência em seus discursos religiosos e em suas orações particulares e públicas, quer admitam quer neguem a propriedade e autoridade dos credos e confissões humanos. Caso estes rejeitem o auxílio e a assistência oferecidas pelas afirmações doutrinais elaboradas e definidas tardiamente pela Igreja, então terão que elaborar seu próprio credo fazendo uso de sua limitada e por vezes confusa sabedoria. A questão real não é como às vezes se pretende colocar, entre a Palavra de Deus e o credo humano, mas entre a fé investigada e provada da corporação coletiva do povo de Deus e o juízo individual e a sabedoria isolada e sem assistência, daquele que repudia os credos e as confissões.
É um fato que a Igreja tem avançado lentamente em sua tarefa de apresentar uma interpretação acurada das Sagradas Escrituras e a definição rigorosa das grandes doutrinas que compõem o sistema lógico de verdades que elas revelam. Em geral, a atenção da Igreja tem estado dirigida ao estudo de determinada doutrina em determinada época. Assim ela tem em diferentes períodos registrado uma declaração acurada dos resultados de suas novas realizações num Credo ou Confissão de Fé, com o propósito de preservação e instrução geral. Entretanto, em todas as ocasiões surgiram hereges pervertendo as Sagradas Escrituras, exagerando certos aspectos da verdade e negando outros igualmente essenciais, transformando a verdade de Deus em mentira. Nestas ocasiões a Igreja é forçada, seguindo o princípio de autopreservação, a formular definições rigorosas de cada doutrina deturpada, em particular levando-a a incluir toda verdade e a excluir todo o erro; e a fazer exibições tão amplas dos sistemas das verdades reveladas como um todo, que nenhuma parte delas seja ou indevidamente diminuída ou exagerada, senão que a verdadeira proporção do todo seja preservada. Ainda ao mesmo tempo, deve-se fazer provisão para a disciplina eclesiástica, e assegurar a genuína cooperação daqueles que professam trabalhar juntos na mesma causa; de tal modo que aqueles que ensinam publicamente, numa só comunhão, não venham a contradizer-se mutuamente, lançando alguém por terra aquilo que o outro se esforçou, às vezes, penosamente para construir. Deve-se também, preparar formulários revestidos de autoridade e representando quanto possível o consenso geral para a instrução dos membros da Igreja, especialmente as crianças.
Credos e Confissões têm sido necessários em todas as épocas e em todos os ramos da Igreja, e, quando não usados erroneamente são de grande valia, tendo os seguintes propósitos: (1.) Delimitar, disseminar e preservar o conhecimento da verdade cristã, em quaisquer crises de seu desenvolvimento. (2.) Fazer uma discriminação entre a verdade cristã e as glosas dos falsos mestres, bem como apresentá-la de forma integra e nas devidas proporções. (3.) Desenvolver as bases da comunhão eclesiástica entre aqueles que concordam ao máximo em labutar juntos em harmonia. (4.) Serem um instrumento para o ensino popular.
Devemos lembrar que a matéria ou conteúdo desses Credos e Confissões obriga as consciências humanas até onde for integralmente bíblica e enquanto for assim; e no tocante à forma na qual tal matéria for expressa, só obriga aqueles que voluntariamente subscreverem a Confissão e em virtude de tal subscrição.
Ainda, em todas as igrejas, se faz uma distinção entre os termos sobre os quais os membros privativos são admitidos à membresia e os termos sobre os quais os oficiais são admitidos às suas sacras responsabilidades do magistério e governo. A Igreja não tem o direito de fazer no que diz respeito à membresia qualquer condição que Cristo não fez no tocante à salvação. A Igreja é o redil de Cristo. Os sacramentos são os selos do seu pacto. Todos têm direito a reivindicar admissão se fazem uma genuína profissão da verdadeira religião; isto é, tantos quantos professam ser o povo de Cristo. Tal profissão de fé, naturalmente envolve um competente conhecimento das doutrinas fundamentais do Cristianismo; uma declaração de fé pessoal em Cristo e consagração ao seu serviço; uma disposição mental e hábitos consistentes e coerentes com a mesma. Em contrapartida, ninguém pode ser induzido a qualquer ofício, em qualquer Igreja, se não professa crer na veracidade e sabedoria da constituição e leis as quais serão seu dever conservar e administrar. Do contrário, toda a harmonia de sentimento e toda a eficiente cooperação no interagir seriam impossíveis.
José André Lourenço
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
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